Impressão 3D de scaffolds deVidro bioativo
para regeneração alveolar: caracterização, bioatividade e potencial aplicação em terapias regenerativas odontológicas
para regeneração alveolar: caracterização, bioatividade e potencial aplicação em terapias regenerativas odontológicas
A regeneração óssea alveolar continua sendo um desafio relevante na odontologia, sobretudo em defeitos que exigem manutenção de espaço, adaptação tridimensional precisa e previsibilidade para reabilitação futura. Neste contexto, a impressão 3D de scaffolds de vidro bioativo emerge como estratégia promissora por combinar personalização geométrica, controle da arquitetura porosa e bioatividade.
O presente artigo, em formato de proposta metodológica de pesquisa de mestrado, tem por objetivo estruturar o desenvolvimento e a caracterização de scaffolds de vidro bioativo voltados à regeneração alveolar, tomando como base a literatura recente sobre impressão 3D em odontologia, vidros bioativos, arquiteturas TPMS/Gyroid e aplicações translacionais em defeitos alveolares.
Propõe-se um delineamento experimental com etapas de revisão dirigida, modelagem computacional, manufatura aditiva, sinterização, caracterização físico-química, avaliação de bioatividade em SBF e planejamento de testes biológicos iniciais. Como perspectiva translacional, o scaffold desenvolvido poderá futuramente servir de plataforma para associação com células da matriz ungueal e tracionamento ortodôntico, linha de pesquisa já estruturada pelo autor. Espera-se, assim, estabelecer uma base material e metodológica robusta para estudos regenerativos mais complexos no campo da odontologia.
Alveolar bone regeneration remains a major challenge in dentistry, especially in defects that require space maintenance, precise three-dimensional adaptation and predictable future rehabilitation. In this context, 3D printing of bioactive glass scaffolds has emerged as a promising strategy by combining geometric customization, controlled porous architecture and bioactivity. This article, structured as a methodological proposal for a master's research project, aims to outline the development and characterization of bioactive glass scaffolds for alveolar regeneration, based on recent literature on 3D printing in dentistry, bioactive glasses, TPMS/Gyroid architectures and translational applications in alveolar defects. An experimental design is proposed including directed review, computational modeling, additive manufacturing, sintering, physicochemical characterization, bioactivity assessment in simulated body fluid and planning of initial biological tests. From a translational perspective, the scaffold developed may later serve as a platform for association with nail matrix cells and orthodontic traction, a research line already developed by the author. Thus, the study is expected to establish a robust material and methodological basis for more complex regenerative strategies in dentistry.
Keywords: 3D printing; scaffold; bioactive glass; alveolar regeneration; tissue engineering; regenerative dentistry.
um rebordo que perdeu volume não é só um buraco a preencher
A regeneração de defeitos ósseos alveolares permanece como desafio clínico central na odontologia: exodontia com perda volumétrica acentuada, defeitos periodontais, sequelas traumáticas e necessidade de futura reabilitação protética ou ortodôntica.
(WADHWA et al., 2026; THOMAS et al., 2025)
“A perda volumétrica do rebordo não representa apenas uma cavidade a ser preenchida, mas um ambiente biológico tridimensional que exige estabilidade espacial, vascularização, migração celular e organização progressiva do tecido neoformado.”
Scaffolds personalizados com desenho digital, controle dimensional e porosidade interconectada, que reproduzem a forma do defeito e modulam o microambiente pela geometria, pela distribuição de poros e pela escolha racional do biomaterial (ZHAO; ZHANG; GUO, 2024).
Neste estudo, o scaffold é compreendido como uma interface ativa entre engenharia de materiais e resposta biológica, e não como um substituto ósseo inerte.
tudo o que vem depois responde a esta frase
Um scaffold de vidro bioativo A-W, produzido por DLP e planejado com arquitetura porosa interconectada, apresenta características físico-químicas, mecânicas e bioativas compatíveis com uso experimental futuro em regeneração alveolar guiada?
Composição A-W (apatita-wollastonita)
Processamento por DLP
Arquitetura TPMS/Gyroid
Porosidade comunicante
Camada apatítica em SBF
Resistência para manipulação em defeitos sem carga imediata
Antes de incorporar células ou estímulos mecânicos, é preciso saber se a plataforma material é reprodutível, bioativa e capaz de manter uma arquitetura porosa compatível com a regeneração alveolar. Essa sequência evita que falhas biológicas sejam interpretadas sem controle sobre o próprio biomaterial (ZHAO; ZHANG; GUO, 2024; WADHWA et al., 2026).
A literatura já mostra o potencial dos vidros bioativos e da impressão 3D, mas ainda há espaço para propostas metodológicas focadas especificamente na regeneração alveolar, com perspectiva translacional em odontologia.
Um scaffold que una adaptação anatômica, bioatividade e arquitetura racionalmente planejada.
Esta etapa é a base do projeto autoral maior: scaffold + células da matriz ungueal + tracionamento ortodôntico. Testar o material antes permite saber, se algo falhar depois, que a causa não foi o próprio biomaterial instável, e sim as células ou a mecanotransdução.
Desenvolver e caracterizar, em nível metodológico e experimental, scaffolds de vidro bioativo produzidos por impressão 3D para aplicação potencial em regeneração alveolar.
espessura de parede, poro e canal passam a ser parâmetros controláveis
A impressão 3D permite produzir scaffolds personalizados com controle digital da forma externa, da distribuição de poros, da interconectividade e do comportamento estrutural. Favorece biomateriais ajustados à geometria do defeito, com potencial para reduzir desperdício, otimizar o tempo operatório e criar microambientes mais favoráveis à adesão, migração, proliferação e diferenciação celular (ZHAO; ZHANG; GUO, 2024; DENG et al., 2025).
Entre as técnicas, o DLP (Digital Light Processing) tem destaque na fabricação de biocerâmicas pela elevada resolução e pela aplicabilidade já demonstrada em regeneração oral e craniofacial. Mas a resolução vem acompanhada de exigências técnicas: a impressão é um elo de uma cadeia de processamento.
Essa possibilidade é particularmente útil em estudos pré-clínicos: permite comparar arquiteturas diferentes mantendo o mesmo biomaterial de base.
Vidros bioativos não atuam como preenchimento passivo: interagem quimicamente com o meio biológico, formam uma camada superficial semelhante à hidroxiapatita e liberam íons que modulam proliferação celular, diferenciação osteoblástica e mineralização. Em odontologia, associam-se a aplicações periodontais, implantodônticas e reconstrutivas (CABRAL; TORRES; ARAÚJO, 2025; WANG; ZHANG; WANG, 2024; THOMAS et al., 2025).
Uma das formulações mais conhecidas: sílica, cálcio, sódio e fósforo, com reconhecida habilidade de estimular a formação de apatita em contato com fluidos biológicos.
Sistema vitrocerâmico escolhido neste projeto: equilibra reatividade superficial e resistência estrutural mínima, mantendo a arquitetura porosa após o processamento térmico.
Pode acelerar a degradação iônica e favorecer cicatrização em menor tempo.
Associado a maior expressão de biomarcadores osteogênicos.
Resistência mecânica, proliferação celular e atividade antibacteriana.
Reforça o efeito antimicrobiano.
Relacionado à osteogênese e à vascularização.
nesta fase: uma formulação de referência. Dopagens ficam para depois.
Multiplicar variáveis composicionais numa pesquisa inicial dificultaria distinguir se uma falha veio da composição, da arquitetura, da impressão ou da sinterização. Primeiro, demonstrar que o vidro pode ser processado, impresso, sinterizado e caracterizado de modo reprodutível.
mais poro ajuda a biologia, menos material cobra resistência
Porosidade, tamanho de poro, interconectividade, percolação e distribuição de tensões influenciam diretamente a difusão de nutrientes, a penetração vascular, a migração celular e a neoformação óssea. O scaffold é um sistema multifatorial em que material, geometria e rota de fabricação atuam juntos (BOUAKAZ et al., 2023; WADHWA et al., 2026).
Sólido definido pela superfície Gyroid, sin x·cos y + sin y·cos z + sin z·cos x > c, recortado no bloco de 15 × 5 × 5 mm. A porosidade é calculada numericamente para cada valor de c. Arraste para girar e use o corte para ver os canais internos interconectados. É um modelo geométrico, não uma simulação mecânica.
Geometrias TPMS oferecem uma rede contínua, sem transições bruscas, com melhor distribuição de tensões e canais interconectados, o que pode favorecer o fluxo de fluidos e um crescimento tecidual mais homogêneo.
A vantagem não deve ser presumida pelo modelo digital: a fabricação cerâmica pode gerar retração, deformação ou obstrução parcial dos poros. Por isso, caracterização pós-sinterização.
scaffolds A-W impressos por DLP em rebordos severamente atróficos
A histopatologia mostrou tecido vascularizado, osso não calcificado e osso recém-calcificado no interior da estrutura, além de tecido mineralizado na interface implante-scaffold após a instalação tardia dos implantes (DENG et al., 2025).
Esse estudo não dispensa a padronização deste projeto: o desempenho depende de granulometria do pó, teor de sólidos, exposição por camada, debinding, sinterização e retração dimensional. E o foco aqui não é afirmar aplicação clínica imediata.
não basta haver inflamação; importa quando ela vira reparo
Após a implantação, biomateriais desencadeiam reação de corpo estranho com participação marcante de monócitos e macrófagos. Em condições desfavoráveis, inflamação persistente, encapsulamento fibroso e osseointegração incompleta. Com o microambiente imune modulado, resolução inflamatória, regeneração tecidual e osteoindução (MIRON et al., 2024).
Esquema qualitativo, sem escala de tempo: macrófagos M1, arredondados e liberando mediadores pró-inflamatórios, dão lugar a M2, alongados, associados à resolução, à remodelação de matriz, à vascularização e ao reparo, na ordem descrita no texto (MIRON et al., 2024).
O fenótipo M1 predomina nas fases iniciais, com mediadores pró-inflamatórios; a transição para M2 relaciona-se à resolução, à remodelação de matriz, à vascularização e ao reparo. Essa visão sustenta a inclusão de análises osteoimunes na caracterização do scaffold.
Um scaffold poroso no defeito alveolar também recebe tensões, micromovimentos e remodelação. Com células da matriz ungueal e tracionamento ortodôntico no futuro, a resposta do material ao estímulo mecânico será decisiva.
A lacuna não é apenas saber se vidros bioativos são promissores, mas compreender como composição, arquitetura, impressão DLP e processamento térmico se combinam em um scaffold voltado ao defeito alveolar.
Organizar um caminho experimental que permita separar problemas do material, problemas de fabricação e problemas biológicos, antes de avançar para aplicações translacionais mais sofisticadas.
estudo metodológico-experimental, em etapas sequenciais e interdependentes
O objetivo metodológico central é estabelecer uma plataforma material reprodutível, bioativa e arquitetonicamente controlada, passível de uso em etapas futuras mais complexas, incluindo funcionalização celular e mecanotransdução.
Será adotado um scaffold de vidro bioativo do tipo A-W (apatita-wollastonita) processado por DLP. Essa combinação já foi descrita com aplicação experimental em regeneração alveolar, com viabilidade estrutural e resposta biológica favorável em defeitos mandibulares severamente atróficos (DENG et al., 2025).
Conforme estudos clássicos sobre vidros A-W (KITSUGI; YAMAMURO; KOKUBO, 1990; KOKUBO et al., 1990). Ponto de partida metodológico, ajustável conforme processamento e caracterização.
Estruturas com porosidade interconectada, elevada percolação e distribuição homogênea de tensões, com ênfase em TPMS/Gyroid (BOUAKAZ et al., 2023; WADHWA et al., 2026). Pelo menos uma geometria convencional poderá ser incluída para comparação. Exportação em STL; dimensões iniciais próximas de 15 × 5 × 5 mm.
Impressora DLP de cura por baixo: o projetor forma a imagem da camada (máscara) com luz de 405 nm, que cura uma camada de 30 µm por 3 s através do filme transparente; a plataforma sobe, separa e volta. A lupa mostra a escala real da camada em relação às partículas de ≈ 20 µm. Animação acelerada; a peça e a célula Gyroid estão fora de escala. Para 5 mm de altura são ≈ 167 camadas, ou ≈ 8,3 min só de exposição.
A eficiência da impressão depende do equilíbrio entre teor de sólidos, viscosidade, estabilidade de dispersão e capacidade de fotopolimerização da suspensão (DENG et al., 2025; SIMORGH et al., 2022). Os corpos impressos, ainda em estado verde, são removidos da plataforma e limpos para retirar o material não curado.
Curva desenhada em escala a partir dos parâmetros do método; temperatura inicial ambiente assumida em 25 °C. Durações calculadas: rampa 1 ≈ 287,5 min, patamar 120 min, rampa 2 = 500 min, patamar 120 min (≈ 17 h antes do resfriamento natural, cuja duração não é especificada). Abaixo, a microestrutura acompanha a curva: esquema ilustrativo com partículas de ≈ 20 µm; a retração mostrada usa o valor de referência de ≈ 22% de Deng et al. (2025).
2 °C/min até 600 °C, patamar de 120 min: remoção controlada da fase orgânica.
1 °C/min até 1100 °C, patamar de 120 min e resfriamento natural: coesão entre partículas, consolidação estrutural e manutenção da arquitetura.
Microscopia eletrônica de varredura: morfologia e microestrutura.
Análise elementar da composição.
Difração de raios X: fases cristalinas.
Infravermelho por transformada de Fourier: grupos químicos.
Rede porosa em 3D, conforme a ASTM F3259-17(2025) (ASTM INTERNATIONAL, 2025a).
Permeabilidade média, segundo a ASTM F2952-22 (ASTM INTERNATIONAL, 2022).
Parâmetros observados: porosidade aberta, interconectividade, espessura de parede, distribuição dos poros, retração, defeitos de impressão e manutenção da arquitetura projetada. Também molhabilidade (ângulo de contato), perda de massa, variação de pH e liberação iônica (ICP-OES). A compressão verifica se há integridade para manipulação e aplicação sem colapso, em sítios sem carga imediata.
Representação no estilo de MEV (elétrons secundários), não uma micrografia real: com o tempo de imersão, glóbulos de fosfato de cálcio nucleiam na superfície do vidro, crescem com morfologia em “couve-flor” e coalescem na camada apatítica, marcador indireto de bioatividade avaliado por MEV, EDS e XRD (KOKUBO et al., 1990; THOMAS et al., 2025).
Princípios gerais de avaliação biológica dentro de um processo de gerenciamento de risco.
Ensaios de citotoxicidade in vitro.
Preparo das amostras e materiais de referência.
Efeitos locais após implantação, para fases futuras com implantação experimental.
(INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION, 2025a; 2009; 2025b; 2026)
Citotoxicidade (extração e contato direto), viabilidade e proliferação: MTT, Alamar Blue ou Live/Dead. Adesão e espalhamento: MEV, faloidina (citoesqueleto) e DAPI (núcleo).
Indução osteogênica: RUNX2, ALP, COL1A1, osteocalcina e osteopontina (atividade enzimática, expressão gênica, deposição mineral) e alizarina vermelha.
Células osteoblásticas ou células-tronco mesenquimais, conforme disponibilidade laboratorial.
Monócitos e macrófagos cultivados em contato com o biomaterial; quando possível, co-cultura com células osteoblásticas ou mesenquimais (transwell ou meio condicionado) para avaliar a influência do microambiente imune sobre a diferenciação osteogênica (MIRON et al., 2024).
Estatística: análise descritiva, testes de normalidade e testes comparativos apropriados, com significância de 5%. Em fases futuras, grupos-controle: scaffold sem estímulo, células sem scaffold e combinações scaffold-célula-estímulo.
0 de 6 critérios
O DLP depende do equilíbrio entre teor de sólidos, viscosidade, profundidade de cura e estabilidade dimensional. Os parâmetros iniciais são ponto de partida, não protocolo definitivo.
Mais porosidade favorece difusão, infiltração e vascularização, mas pode reduzir a resistência e aumentar o risco de fratura na manipulação.
MEV, EDS, XRD, FTIR, micro-CT e ICP-OES podem exigir parcerias laboratoriais e ajustes de cronograma.
Toque numa etapa para ver o que ela envolve.
Fonte: elaboração própria (2026).
é uma proposta: aqui estão expectativas, não dados obtidos
Na regeneração óssea alveolar, a escolha do biomaterial não pode ser separada da arquitetura e do processamento.
Um vidro bioativo promissor pode perder desempenho se for impresso com poros mal distribuídos, se sofrer retração incompatível com o desenho inicial ou se apresentar fragilidade após a sinterização. Por isso, a caracterização do scaffold é etapa decisiva antes de células e estímulos mecânicos.
O estudo amplia a discussão para além da osteocondução tradicional, incorporando osteoimunologia e, de forma prospectiva, mecanobiologia: o scaffold é visto como sistema capaz de modular respostas celulares, inflamatórias e regenerativas, e não apenas como suporte físico.
A proposta não antecipa aplicação clínica imediata: organiza o caminho experimental para transformar uma ideia regenerativa em uma plataforma material testável, comparável e passível de evolução translacional.
antes das células e da força, a plataforma precisa estar de pé